LOS ANGELES: A CIDADE DO AUTOMÓVEL


Por Fernando R. F. de Lima.

Entre muitos adjetivos possíveis, Los Angeles é a cidade do automóvel. Talvez por causa de Hollywood, quando penso no American way of life a cidade que me vem à mente é L.A. Muitas avenidas, muita gente diferente misturada, muitos idiomas, muita riqueza e muito contraste entre ricos e pobres. O mais fascinante, contudo, são os milhões de carros na cidade. Segundo o LADOT, L.A. tinha em 2009 1,66 milhões de trabalhadores com idade superior a 16 anos e 2,5 milhões de veículos registrados, isto apenas na Cidade de L.A. Deve-se ressaltar que sua área metropolitana tem mais de 17 milhões de habitantes e a proporção de veículos se mantém.
Ainda de acordo com o documento da Prefeitura da Cidade, 79,5% dos angelinos se deslocavam para o trabalho de carro, van ou pickups, sendo que apenas 10,3% utilizavam transporte público que não fosse táxi. E apesar do uso intenso dos automóveis, o tempo médio de deslocamento de cada trabalhador situava-se em 29 minutos por dia por viagem, inferior ao de cidades como São Paulo, em que chega a 1 hora, e semelhante a Curitiba, que é muito menor.
Apesar disto, Los Angeles é a cidade americana com maior números de horas em atraso por ano por trabalhador no EUA, com quase o dobro de atrasos em relação a Nova York. Estes veículos trazem, além dos problemas com congestionamentos, poluição e consumo de espaço sem precedentes. Apesar de menor que Nova York em termos populacionais, a área urbana de L.A. excede muito a da Big Apple.
Alguns podem argumentar que a cidade é assim porque seus habitantes assim quiseram, e que o uso intenso do automóvel decorre do fato de que a cidade usou pouco dinheiro público em transporte coletivo. Mas a questão é outra: o sistema de freeways e highways, aquedutos e grandes estacionamentos que conectam os vastos subúrbios de Los Angeles contaram com vultosos subsídios para existir, incluindo o dinheiro gasto na indústria militar que sustentou boa parte dos empregos industriais da cidade. Neste sentido, o uso intenso do solo em Nova York está mais próximo de uma geração espontânea do capitalismo de livre mercado que os vastos subúrbios da costa oeste.
O investimento realizado em Los Angeles para a construção de autoestradas urbanas fez com que o trânsito da cidade se tornasse aceitável para nossos padrões, mas ainda assim é o mais congestionado dos EUA. Mas mais que isso, criou uma cultura de uso do automóvel que, mesmo com uma rede de metrô mais extensa que a de São Paulo, e uma rede de ônibus com cobertura bastante razoável, ainda assim tenha uma utilização do transporte público bem pouco expressiva. E se há algo muito difícil de mudar, quando o assunto é cidade, são os hábitos arraigados na população. Assim, L.A. irá carregar por muitos anos ainda o título de cidade do automóvel.

Comentários

INTERCEPTOR disse…
Fernando, será que NYC é tão menos estatista que L.A.? Afinal, ela tem um sistema de metrô bem maior, construído pelo poder público e compreende parte de uma densa rede rodoviária na costa leste, que forma a megalópole com outras grandes cidades.

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