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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

POR QUE HÁ ESPERTALHÕES EM TODO LUGAR?

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Por Fernando R. F. de Lima. No Brasil a figura do “espertalhão” ou “malandro” é onipresente em todos os lugares. A teoria dos jogos ajuda a entender porquê. Bancar o esperto no trânsito, por exemplo, quase sempre implica redução no tempo de deslocamento para o espertalhão às custas da redução da velocidade de toda a manada. No final das contas, somos todos prejudicados, mas o oportunista leva alguma vantagem. Isto está relacionado com as estratégias evolutivamente estáveis definidas pela teoria dos jogos. No caso do trânsito, o resultado é análogo ao dilema do prisioneiro. Para os poucos que nunca se depararam com esta teoria, sua análise, apesar de complexa é fácil de compreender. Imagine que dois suspeitos de um crime são encurralados pela polícia que os leva para um interrogatório em salas separadas. Se um criminoso confessar o crime, dedurando o colega e o outro não, ele receberá uma pena de 5 anos, enquanto o colega será condenado a 10 anos. Se ambos confessarem, a pena s

POPULAÇÃO REFÉM DOS SINDICATOS

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Por Fernando R. F. de Lima.              Hoje, dia 26 de fevereiro de 2014, a população de Curitiba se viu mais uma vez refém dos sindicatos. Desta vez foram os motoristas e cobradores de ônibus os responsáveis por grandes congestionamentos, atrasos e abstenções ao trabalho, numa quarta-feira que antecede o carnaval. As reivindicações do sindicado são, como pode se esperar, irreais: pedem aumento real de 16% para motoristas e 22% para cobradores, isto é, sem contar os 6% da inflação, além de aumento no valor do vale refeição.             Um pedido deste tipo deveria ser descartado de cara, obviamente. Que ganhos em produtividade justificariam um aumento real de 16% para motoristas de ônibus ou 22% para cobradores? O número de passageiros transportados por viagem cresceu nesta proporção? A arrecadação dos cobradores aumento 22% do ano anterior para agora? Diminuíram os custos com manutenção do sistema por causa do empenho destes trabalhadores? A população percebeu melhorias na qu

O PAÍS DA COPA

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Por Fernando R. F. de Lima Há cerca de 100 dias para a realização do mundial de Futebol, o Brasil ainda está às voltas com inúmeros problemas não resolvidos. Boa parte das obras de mobilidade urbana previstas para a Copa não ficarão prontas, e talvez nem mesmo todos os estádios de futebol. Poucos dias atrás, a revista francesa France Football publicou uma matéria que destacou o Brasil como uma grande fonte de angústias às vésperas da Copa. Alguns fatos citados servem para averiguarmos o tamanho de nossa ineficiência em realizar qualquer coisa que seja: além dos já conhecidos dramas sociais (como a violência urbana, nos estádios, no trânsito), a péssima oferta de serviços públicos (de saúde, educação, etc.), alguns outros dados, mais relacionados com a economia, mostram como a falta de produtividade nos afeta. Uma das informações é particularmente relevante: enquanto o Stade de France custou 280 milhões de euros para a realização da copa de 1998, o Olimpiumstadium 140 milhões d

CONSTRUIR PIRÂMIDES NÃO AUMENTA O BEM ESTAR SOCIAL

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Por Fernando R. F. de Lima. O Governo Federal tem amargado o peso de decisões equivocadas nos últimos anos, sobretudo na área econômica. Um dos questionamentos possíveis é o de por que a economia brasileira insiste em não crescer mesmo com os investimentos realizados para a Copa do Mundo que ocorrerá este ano. A razão reside no título do texto: investir em pirâmides não melhora o bem estar social, não aumenta o produto e não melhora a produtividade da mão de obra. Investimento que gera riqueza é aquele que uma vez realizado permite aumentar a produção. Construir estádios de futebol, ou pirâmides, ou monumentos, não aumenta a produção de nada. O único estímulo na economia é dado pelo consumo de material necessário para as obras. Uma vez consumido este investimento, nada mais há de retorno, inclusive com o potencial para que se tornem fontes de gasto, reduzindo o produto total. A expectativa inicial talvez fosse que, com as obras da copa, as indústrias teriam que investir para a