PROPOSTA DE SOLUÇÕES PARA O TRANSPORTE COLETIVO EM CURITIBA


Por Fernando R. F. de Lima


Uma maneira de reduzir significativamente os custos por quilômetro rodado seria realizar toda a cobrança de forma indireta, ou seja, realizar toda a movimentação de passageiros por meio de cartões eletrônicos. Desta forma, seriam eliminadas as perdas por assaltos a ônibus e empresas e seria reduzido o risco de fraudes. Além disso, seria possível diminuir significativamente os custos trabalhistas com a demissão de milhares de cobradores de ônibus (uma medida certamente impopular). 
Com a economia realizada, seria possível disponibilizar mais ônibus (contratar mais gente), sem elevar o valor da tarifa. Além disso, seria possível realizar embarques mais rápidos na cidade. A compra dos cartões poderia ser realizada em máquinas dispostas em locais de grandes volumes e no comércio local dos bairros, próximos a pontos de ônibus. Introduzir algum sistema de desconto para compra antecipada seria outra alternativa para induzir o uso de formas de pagamento automáticas. Outra vantagem de eliminar a figura do cobrador, seria a liberação de espaço nos ônibus para a atividade fim: transportar usuários sentados.
Outra medida importantíssima na cidade é a revisão do itinerários dos ônibus. Diversos binários, com novas rotas de automóveis, foram criadas na cidade. Contudo, os ônibus continuam percorrendo, basicamente os mesmos caminhos. Linhas com baixa densidade de uso deveriam ter seu itinerário otimizado, e linhas paralelas, com poucas quadras de distância deveriam ser estudadas para aumentar as opções dos usuários. Uma boa otimização das linhas, eliminando as alimentadoras com trajetos muito sinuosos, que aumentam o tempo de viagem e a quilometragem percorrida, seria uma forma de tornar o transporte coletivo mais atrativo ao usuário.
Por fim, a questão do preço. Sinceramente falando, se formos pensar que uma passagem de ônibus custa o mesmo que um litro de gasolina (até mais), a passagem está cara. Mas se pensarmos que deslocar-se de carro implica não apenas o custo da gasolina, mas também custos de estacionamento, impostos, manutenção e seguro, no fundo a passagem de ônibus tem um preço competitivo. A grande desvantagem no transporte coletivo é o conforto e o tempo de deslocamento. O que deveria ser feito é uma campanha que tornasse mais evidente estas vantagens, e eventualmente a implantação de algumas normas que dificultassem um pouco mais o uso do automóvel. Permitir que empresas privadas cobrem o estacionamento de seus funcionários, assim como lojas, farmácias, supermercados e shopping centers (este último caso já esta disseminado), é uma boa forma de tornar o transporte coletivo ainda mais atrativo.
As idéias que propus aqui, dentro do espírito do último texto, não são óbvias, e algumas são muito complicadas, sobretudo do ponto de vista político, mas podem ter um bom impacto no sentido de melhorar significativamente a qualidade do transporte coletivo. Sem dinheiro para investir constantemente em melhorias do sistema, é impossível imaginar que a qualidade vá subir. Fazendo mais do mesmo, também não iremos a lugar algum. São necessárias mudanças profundas no modo de pensar o sistema.

Fernando R. F. de Lima
www.democraciaeliberdade.blogspot.com
Homo sum humani nihil a me alienum puto

Comentários

INTERCEPTOR disse…
Fernando, não creio que "normas que dificultassem um pouco mais o uso do automóvel" estimulem a melhoria do transporte público. Acho que tais normas protegerão o sistema desestimulando melhorias.
Fernando Ferro disse…
Pode ser que você esteja certo. Afinal de contas, proteções sempre geram ineficiências. Mas acho que obrigar determinados estabelecimentos a fornecer vagas de estacionamento para automóveis é um meio de privilegiar o automóvel em detrimento de outros meios, sejam bicicletas, motocicletas, o próprio transporte coletivo e o pedestrianismo (visto que muitas ruas sequer têm calçadas ou faixas de pedestre). Quando me referi às normas, tinha estas medidas em mente. Eu acabaria com o regulamentos que obrigam um número mínimo de garagens por empreendimento também. O mercado que decida quantas vagas quer oferecer. Também reduziria substancialmente o número de vagas para estacionamento nas ruas centrais e liberaria os estacionamentos privados para realizarem a cobrança do modo que bem entendessem. Hoje em dia, várias cidades implantam regras impondo, por exemplo, cobrança fracionada (a cada 15 minutos) em estacionamentos privados. Isso já tornaria andar de carro um tanto mais chatinho do que é hoje.
INTERCEPTOR disse…
Tenho ido de ônibus até o centro de Fpolis, semanalmente. Os motivos são o custo e o tempo dispendido para conseguir estacionar, mas confesso que não fosse por isto, o conforto dos coletivos (exceto, a opção executiva, mais cara) me obrigaria, com certeza, a ir de carro. Quanto à tua resposta, sem dúvida, nenhuma forma tem que ter favoritismo dado pela lei. Ao invés de estímulos à outras formas, basta evitar mesmo de obrigar a "justiça" (imaginária) para com o consumidor que optou por usar seu automóvel.

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