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Mostrando postagens de Setembro, 2014

ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS: o que há de terrível nisso?

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             Meu último texto sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo trouxe o questionamento de um leitor sobre uma consequência de sua legalização: a permissão da adoção de crianças por casais homossexuais. No fundo, a adoção é outro dos direitos relacionados à formação da família e à questão da herança, porque filhos são herdeiros “naturais” dos pais.             No caso de um casal homossexual, as coisas tornam-se um pouco mais complicadas, porque quando se pensa em crianças, logo vem à cabeça a imagem de um pai e uma mãe, necessariamente cada um pertencendo a um gênero. Será? As famílias contemporâneas contemplam arranjos tão excêntricos não é incomum vermos casais homossexuais, sobretudo femininos, com crianças. Ou ainda, pais separados cujos filhos têm origens parentais tão diversas que a relação de fraternidade torna-se dúbia. Ou ainda mães e pais solteiros, crianças criadas por avôs, avós, tios, tias, parentes mais distantes. E nos casos mais extremos, crianças que

POLÍTICA COMO PROFISSÃO E VOTO DISTRITAL

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Por Fernando R. F. de Lima.             Apesar do nome do blog, na maior parte das vezes dedico-me menos a tratar de temas políticos que de outras questões. Mas como este tema tem sido recorrente nas conversas com meus quatro ou cinco leitores, resolvi abordar de forma escrita os argumentos pelos quais considero que a política deve ser tratada como uma atividade profissional como qualquer outra, ao contrário de certo senso comum que está se desenvolvendo entre as classes médias e altas no Brasil.             Aqui entre nós é comum haver preconceito contra a atividade política, sempre envolta em escândalos de corrupção ou em privilégios pouco éticos sendo o consenso geral. No entanto, se esquece a maior parte da população que, apesar dos pesares, a classe política é, provavelmente, a classe mais vigiada do país entre todos os profissionais, já que são constantemente fiscalizados por si próprios e seus adversários/inimigos, imprensa, tribunais de contas, órgãos de transparência, a

UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO OU: CASAMENTO GAY: PORQUE NÃO SOU CONTRA.

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Por Fernando R. F. de Lima Sei que o tema vai causar polêmica, principalmente no meio em que meu blog é mais lido, mas meus quatro ou cinco leitores assíduos hão de me dar razão. Não sou contra a união civil entre pessoas do mesmo sexo por uma questão de princípio: para mim, união civil é um contrato entre duas pessoas com vistas a gerar direitos de herança. Mais recentemente, o casamento gera também direitos previdenciários, uma distorção, obviamente. Mas o casamento, em si, quando proclamado pelo Estado, em nada se assemelha ao casamento religioso. No fundo, o casamento civil é uma aberração, algo como um sacrilégio ou um ritual disforme do casamento religioso. Um juiz de paz se faz passar por sacerdote da religião civil “abençoando” o novo casal, um completo e absoluto absurdo. O ritual civil deveria ser apenas uma assinatura de contrato, nada mais. Foi a revolução francesa e os positivismos da vida, tentando transformar o código civil numa espécie de religião que sacralizara

AS IDEIAS CONSERVADORAS EXPLICADAS A REVOLUCIONARIOS E REACIONÁRIOS, DE JOÃO PEREIRA COUTINHO – RESENHA

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Por Fernando R. F. de Lima.             O livro “ Asideias conservadoras [...] ” de João Pereira Coutinho é certamente uma das leituras mais agradáveis que se pode encontrar atualmente em uma livraria brasileira. Escrito de forma concisa, elegante e clara, possui um grau de erudição suficiente para que sintamos inveja do autor, mas não exagerado a ponto de acharmos que se trata de um acadêmico pedante. Voltado ao consumo tanto de revolucionários (e aspirantes), quando reacionários, como o título indica, mas também para os ignorantes do assunto e o público com tendências conservadoras. Aliás, como destaca o autor, conservadores somos todos, ao menos nos assuntos mais íntimos, como família, amores e prazeres. O livro é útil também para aqueles que gostariam de melhor embasar seu sentimento profundo de indiferença a todas as ideologias que estão a venda no atual mercado de partidos, ainda mais no momento eleitoral. O autor apresenta ao longo dos oito capítulos o que é o conservador

ENGENHARIA DE TRÁFEGO A BASE DE TINTA GUACHE

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Por Fernando R. F. de Lima.                      Não sei precisar onde nem quando começou a estranha mania de tentar resolver complexos problemas viários com tinta, mas em Curitiba a modo pegou nos últimos 10 anos. Desde então, esta parece ser a solução definitiva para tudo. Na gestão atual, do pedetista Gustavo Fruet, aliado ao PT, as mais recentes ações passaram por uma caricatura do que fez Haddad em São Paulo (sem sucesso, é bom dizer), na tentativa de agilizar o transporte coletivo da cidade.             O local mais afetado foi o bairro Alto da XV, em que as ruas Marechal Deodoro e XV de novembro receberam nova pintura e uma de suas faixas passou a ser exclusiva para o tráfego de ônibus. Certamente algum ganho de velocidade nos coletivos deve ter sido observado, o que é bom para quem anda de ônibus, mas terão estas medidas efeitos reais sobre a melhoria da capacidade do transporte coletivo?             A resposta, obviamente, é um sonoro não. Isto porque a frequência dos