VOLTANDO AO ETANOL E À EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

VOLTANDO AO ETANOL E À EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

 

No texto "Notas sobre o Etanol" eu mencionei as diferenças nos processos de obtenção de etanol no Brasil e nos EUA com base no conceito de Balanço Energético, e comentei sobre o problema da eficiência energética e econômica destes combustíveis. Ao final do texto falei que comentaria futuramente a questão da eficiência energética dos combustíveis e dos motores. Pois agora voltarei ao tema.

O etanol, como bem sabem os proprietários de carros flex, consome 30% mais combustível que a gasolina comum, dados os mesmos valores na taxa de compressão do motor, como é o caso dos carros flex. Em carros feitos para rodar exclusivamente com álcool esta relação pode ser menor, porque o álcool, dadas suas propriedades químicas, permite atingir taxas de compressão maiores no cilindro e, portanto, um rendimento térmico melhor. Mas tomando esta relação energética por base, isto significa que o etanol tem que ser no mínimo 30% mais barato que a gasolina, pois se for mais caro que isso, a gasolina irá compensar pela economia.

Nos motores diesel essa relação é um pouco menor. O litro de biodiesel contem cerca de 86% da energia que um litro de diesel comum possui. Isto significa que um motor que rode exclusivamente com diesel será 14% mais econômico que um que rode exclusivamente com biodiesel. A diferença é bem menor que a da gasolina com o etanol, mas o biodiesel é bem mais caro de obter que o diesel, por depender de complexos processos químicos.

Deste modo, fica claro que para ser economicamente eficiente, o álcool deve custar no máximo 70% do preço da gasolina, e o biodiesel no máximo 86% do preço do diesel. No Brasil, apesar da tão propagada eficiência na produção de etanol, que é real, como já foi mostrado no outro texto, há um "subsídio" indireto para a produção de álcool. Este subsídio indireto é a CIDE, que é maior na gasolina que no diesel e no etanol. Este tributo tem incidência muito menor sobre o álcool, o que já representa uma diferença significativa no preço ao consumidor.

A questão que se coloca é: até onde vale a pena subsidiar determinados tipos de combustível? No texto de Martin Wolf, postado hoje pela manhã neste blog, o autor discutia algumas medidas fundamentais para racionalizar o uso de combustíveis alternativos, e uma delas era a criação de um mercado mundial livre para estes produtos, sem barreiras protecionistas. Voltarei neste ponto em outro texto, discutindo eventuais impactos do livre comércio nos mercados agrícolas.


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