DISCORDANDO DE GINO BRASIL

 

            Nos últimos meses muito tem se falado sobre a poluição e também sobre a emissão de gases estufa. Num artigo do editorial da revista eletrônica Best Cars, Gino Brasil destaca o papel reduzido que os automóveis tem na emissão total dos poluentes. A maior parte cabe, logicamente, as emissões residenciais e industriais, e mesmo no setor de transporte, que responde por 25% do total de emissões, os automóveis respondem por apenas 10%.

            Só que no artigo, Gino Brasil engrossa o coro dos que são contra as motocicletas, alegando que elas poluem mais do que os automóveis com base nas emissões de Monóxido de Carbono (CO). Isso porque a legislação obriga os automóveis a uma emissão menor de CO que as motocicletas, diferença que chega a 600% segundo o autor. No entanto, ele não destaca que as motocicletas consomem muito menos combustível, pneus e lubrificantes que os automóveis, o que leva a uma poluição total significativamente menor. Os limites impostos para a emissão de CO pelas motos é mais alto, porém a emissão total de CO2, por exemplo, é muito menor. Isso porque um automóvel libera algo próximo a 200g de gás carbônico por quilômetro, ou cerca de 2000g por litro de combustível consumido.

Uma motocicleta cujo motor tem rendimento térmico equivalente ao de um automóvel emite a mesma quantidade de gás carbono por litro de combustível, só que ao invés de fazer 10km/l em média, faz algo próximo a 30km/l (tomando por base uma média baixa, pois a maior parte das motocicletas ultrapassa facilmente os 35km/l). Sendo assim, uma motocicleta emite algo próximo a 66 gramas de CO2 por quilômetro, cerca de 1/3 do que faz um automóvel.

Os outros poluentes são emitidos em quantidade maiores, mas aí também entra um segundo fator: há menos motocicletas que automóveis, além do fato de que a quilometragem anual média percorrida pelas motocicletas é menor que a dos automóveis, e que a idade média da frota da motos é cerca de 5 anos, enquanto a de carros é de 10 anos. Além disso, a frota de motocicletas se renova mais rapidamente, e dado o crescimento acelerado do mercado, em pouco tempo a idade média será inferior a 3 anos. Assim o impacto da poluição excedente gerada pelas motos é menor do que aquela gerada pelos automóveis.

Os carros vão levar ainda pelo menos uns dez anos para chegarem nas emissões de CO2 da motos atuais. Além disso, com a implementação das normas de emissão EURO III e EURO IV para motocicletas, em pouco tempo a poluição de seus motores será ainda menor. Abaixo apresento algumas medidas que poderiam ser implementadas para reduzir a poluição nos grandes centros urbanos sem demagogia.

 

MEDIDAS PARA REDUZIR A POLUIÇÃO IMEDIATAMENTE E SEM DEMAGOGIAS

 

1.      Fiscalização rigorosa dos postos, impedindo a venda de combustíveis adulterados. Isso porque, além de prejudicar o motor, o combustível adulterado com solventes leva à destruição do catalizador dos automóveis, e faz com que veículos novos deixem de obedecer os parâmetros da legislação atual, voltando a poluir como nos anos 1980. Um catalizador custa, em média, R$ 300,00 e sua substituição por um cano de aço oco custa R$ 20,00. Fica fácil saber qual o tipo de conserto mais freqüente nas oficias Brasil afora.

2.      Impor um programa de manutenção e renovação de frota rigoroso sobre as empresas de transporte público, já que os motores diesel são os maiores responsáveis pela emissão de particulados. Há milhares de ônibus soltando pela descarga fumaça preta, que além de extremamente tóxica ainda suja as árvores, prédios e roupas.

3.      Adotar um combustível que seja mais limpo e rigoroso com os padrões, começando pelo diesel. Já foi comentado, mas é bom reforçar que o diesel nas grandes cidades possui cerca de 500 ppm de enxofre, enquanto nos EUA a média é de 20 ppm e na Europa 15 ppm. Nas outras áreas, o diesel chega a conter até 2000 ppm de enxofre. A redução desse nível, através de um processo mais cuidadoso de refino levaria a redução da poluição, além de contribuir para manter os motores funcionando por mais tempo de forma regulada, pois o enxofre altera o funcionamento da injeção e reduz a vida útil dos motores diesel. Na gasolina, a gasolina aditivada deveria ser o padrão como já ocorre nos EUA e na Europa, já que auxilia a manter o motor limpo prolongando sua vida útil.

4.      Redução de impostos para peças de reposição o que baratearia a manutenção adequada da frota de veículos. Esta medida poderia ser seguida da implementação de testes de emissão de poluentes na inspeção veicular que é realizada quando da transferência de dono.

5.      Reduzir os impostos sobre automóveis novos, para incentivar a renovação da frota de veículos. Veículos mais novos poluem menos. Do mesmo modo poderia se reduzir os entraves à circulação de motonetas, que são aquelas em que as pessoas andam sentadas, não montadas. As motonetas são extremamente fáceis de conduzir, além de ocuparem pouco espaço. Exigir habilitação específica para elas é absurdo, pois qualquer motorista pode dirigi-las sem problema. Além disso, economizam combustível em relação aos automóveis e auxiliam a reduzir os engarrafamentos, que são responsáveis pelo desperdício de milhões de litros de gasolina e diesel todos os anos.


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