TRABALHISMO: IDAS E VINDAS DE UMA IDEOLOGIA FRACASSADA

Por Fernando R. F. de Lima

É costume creditar a Karl Marx a paternidade do comunismo moderno, ao menos na forma como ele foi implantado na União Soviética, onde o marxismo era a ideologia oficial do estado, assim como o catolicismo no Vaticano. Mas o comunismo, tanto de origem prodhouniana quanto marxista é pai de uma ideologia mais duradoura que o comunismo que vive retornando às sociedades ocidentais: o trabalhismo.

Não é necessário se alongar sobre o sucesso do trabalhismo no Brasil e no mundo: por aqui, dois importantes partidos se auto-declaram trabalhistas: o PT e o PDT. A ideologia do trabalhismo, contudo, que em vários pontos se assemelha ao comunismo/socialismo, e até mesmo à social-democracia (um trabalhismo modernizado), é autodestrutiva, e sempre implica em reformas que suprimem as supostas conquistas do trabalhador para benefício do consumidor.

O trabalhismo parte do pressuposto, ainda que nem sempre explícito, de que o todo valor é produzido pelo trabalho. Portanto, a parte mais importante da economia seria o trabalho, não o capital ou a matéria prima. Também não imagina que haja cooperação entre estes fatores, tornando-os igualmente importantes. De certa forma, o trabalhismo seria uma forma de radicalizar a leitura da sociedade, se opondo de forma veemente a uma ideologia (pela falta de um termo melhor) capitalista, onde o capital seria o fator de produção mais importe. Em minha opinião, ambas as ideologias, o trabalhismo e o capitalismo assim definidos seriam equívocos do que ocorre de fato na economia.

O trabalhismo é um fracasso pelo seguinte fator: para funcionar, ele pressupõe que os trabalhadores são a parte mais importante de uma economia e devem ser beneficiados por isso com aposentadorias precoces e generosas, além de benefícios reais, como salários extras ao longo do ano, férias remuneradas e ganhos salariais atrelados à produtividade do trabalho. Contudo, uma vez que um partido trabalhista chegue ao poder, e passe a distribuir estes benefícios, rapidamente ele verá os recursos do estado serem consumidos na manutenção destes privilégios de uma classe de trabalhadores pelos próprios funcionários do estado, ou seja, pelos funcionários da administração pública direta e indireta e das empresas estatais.  Isto gera uma queda acentuada dos serviços prestados pelo estado, e uma insatisfação geral e necessidade de reformas.

O trabalhismo está fadado ao fracasso porque leva a uma distorção dos preços de mercado, sobretudo do mercado de mão-de-obra ou mercado de trabalho, e torna os serviços oferecidos por estes trabalhadores mais ineficientes, prejudicando os próprios trabalhadores que supostamente seriam beneficiados. Quando eu, ou qualquer outro consumidor, vamos a um hospital, nós não queremos que o atendente do caixa tenha direito a cinco minutos de cafezinho a cada meia hora. Ou que os médicos trabalhem apenas cinco horas por dia; nós queremos atendidos rapidamente. O mesmo tratamento é esperado dos garçons em bares e restaurantes. Esperamos comprometimento dos professores que atendem nossos filhos na escola, não 60 dias de férias por ano.

Nosso bem estar, e o bem estar social, dependem mais da eficiência destes serviços que de nosso direito a um décimo terceiro salário. Ou ainda, do nosso direito a nos aposentar com o último salário integral caso sejamos funcionários públicos. Podemos ser temporariamente mais felizes quando recebemos algum benefício trabalhista, mas somos prejudicados quando uma empresa fecha ou cobra mais caro por um serviço porque seu funcionário resolveu pedir a conta e cumpre, de má vontade, seu aviso prévio.

Desta forma, o trabalhismo, enquanto ideologia, está fadado a dar errado onde quer que ele seja aplicado. Ao invés de avanço, ele representa um atraso para a sociedade como um todo, já que leva a uma redução da produtividade e das oportunidades de novos empregos surgirem. O trabalhismo, no fundo, é um elogio à preguiça, que soa a nossos ouvidos como um canto da sereia. Uma vez tragado por este canto, a única alternativa que nos resta é reformar o sistema, piorando temporariamente os serviços ofertados.

Nenhuma sociedade se desenvolveu por meio da ideologia trabalhista. Os surtos de desenvolvimento surgem na época das reformas trabalhistas, com o corte de privilégios de algumas classes que leva a um ganho de produtividade subseqüente. Nas eleições que se aproximam, teremos mais uma vez a oportunidade de rejeitar nas urnas a ideologia trabalhista do PT. Infelizmente, a única alternativa é a social-democracia tucana. Quem dera tivéssemos a oportunidade de escolher, entre os candidatos à presidência, um liberal ou ainda um capitalista (apesar dos erros desta visão de mundo assim definida), porque talvez pudéssemos nos expressar nas urnas por meio das nossas outras facetas, principalmente a consumidora.




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