INDUSTRIALISMO/CAPITALISMO: OUTRA IDEOLOGIA PERIGOSA E ULTRAPASSADA

Por Fernando R. F. de Lima

 

Para continuar no mesmo espírito do último texto, vou retomar o assunto das ideologias fracassadas e perigosas. Para tanto, escolhi o industrialismo, ou para utilizar uma velha palavra com um sentido diferente, o capitalismo. Para me fazer entender, vou começar explicando porque defino como capitalismo o que alguns chamam de industrialismo.

A economia clássica considera que para produzir alguma coisa, qualquer coisa, são necessários três fatores de produção: trabalho, capital e terra. No capítulo terra, entram os recursos naturais e também o espaço físico necessário para tanto. Dentre os recursos, encontra-se também a água. O trabalhismo, conforme o texto anterior, é a ideologia que diz que o trabalho é a parte essencial da economia, e portanto o trabalhador, sempre explorado, deve ser compensado por isso.

Pois seguindo mesmo raciocínio, o capitalismo seria a ideologia que entende que o capitalista e seu capital é que são a parte mais importante, e portanto deve ser protegido e beneficiado. Industrialismo foi durante anos o nome mais utilizado para definir esta ideologia pelo fato de que os grandes capitalistas, aqueles capazes dos grandes lobbies, eram em geral gente da indústria. Hoje, os grande bancos e as empresas de telecomunicações além de outras grandes empresas dos diversos ramos são igualmente capazes de convencer a sociedade de que são fundamentais para existir.

A ideologia industrialista/capitalista dissemina a idéia de que o crescimento econômico, o progresso e o bem-estar social só podem existir se grandes empresas nacionais existirem. O interesse destas grandes empresas se confundiria com o interesse nacional, e da necessidade de fazer frente aos capitalistas estrangeiros, até mesmo monopólios nacionais devem ser admitidos. Este tipo de ideologia conduziu, no Brasil, a criação de empresas monopolistas estatais, como a Petrobrás, mas também a formação de oligopólios privados, nos setores bancário, siderúrgico, petroquímico, construção civil e, mais recentemente, telecomunicações, alimentos e bebidas e aviação.

Estes setores cartelizados recebem benefícios de bilhões de reais, seja em contratos governamentais, seja via empréstimos do BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica, além de vantagens fiscais/tributárias para que se fortaleçam no mercado interno e possam atuar no mercado externo. Esta prática é comum em diversas democracias, como o Japão, a França, Alemanha e também no Brasil, México e Coréia do Sul. Contudo, quem paga a conta desta transferência de recursos é o cidadão comum, que não é proprietário de uma empresa situada entre as de "interesse estratégico", ou que atenda aos "interesses nacionais".

O que se deve tirar de lição deste rápido olhar sobre estas ideologias, seja o trabalhismo, seja o industrialismo, ou qualquer outra que aparecer dizendo que se deve favorecer este ou aquele setor em detrimento dos outros, é que sempre que se favorece alguém, o restante da sociedade é quem paga a conta. Estas ideologias acabam impedindo a otimização dos recursos da sociedade, fazendo com que o bem-estar de alguns grupos aumente temporariamente, mas desfavorecendo o bem-estar de todos no médio e longo prazo. As ineficiências que estas ideologias geram, normalmente são difíceis de sanar, e sua superação muitas vezes parece impossível.

Depois de 25 anos de democracia, ainda não conseguimos nos desfazer dos vestígios do trabalhismo dos anos 1930. Muitos trabalhadores recebem benefícios sem merece-los, travando o desenvolvimento econômico. E apesar do fim da ditadura, oligopólios nacionais continuam sendo favorecidos com empréstimos subsidiados, por atuarem em setores estratégicos. Fusões que seriam consideradas irregulares pelo CADE em outros setores, são permitidas na telefonia por causa de uma suposta questão de soberania; ou ainda no setor de bebidas, com claro prejuízo para o consumidor brasileiro, como aconteceu no segmento cervejeiro.

Por isso, reafirmando o ideal liberal, a igualdade de tratamento entre as pessoas e empresas perante a lei deve ser o pressuposto básico que guia a sociedade. As regras, por mais injustas que possam parecer, devem ser aplicadas e obedecidas por todos, sem exceções, como forma de garantir a igualdade de tratamento. Somente pela despersonalização das instituições avançaremos rumo a uma sociedade mais eficiente, com capacidade de produzir mais e otimizar, desta forma, o bem estar de todos e garantir a continuidade do desenvolvimento econômico e social nas gerações futuras.

 



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