SOCIAL-DEMOCRACIA NOS TRÓPICOS

Por Fernando R. F. de Lima

 

Meu blog tem por característica veicular textos de opinião, resenhas e outros do mesmo gênero, e não fazer relatos sobre a minha rotina diária. Contudo, às vezes, acho interessante comentar algumas das coisas que se passam no meu dia-a-dia. Nesta sexta-feira dia 5/03/2010 minha filha começou o dia passando mal. Febre, vômitos e dor de estômago. Procurei o médico no período da tarde, num hospital privado, devidamente atendido por meu convênio de saúde. A médica limitou-se a, depois de exames superficiais, me dizer que uma virose estava atacando a menina. Uma virose? Sim, uma virose. Que vírus? Pode ser qualquer um. Só isso? Só isso.

Como a febre não cedeu no fim de semana, na segunda-feira fomos à pediatra dela que além de atender em seu consultório particular, uma salinha pequenina longe das clínicas, atua também na rede municipal de saúde. O atendimento foi muito diferente: ela perguntou pela rotina da criança durante a semana, examinou-a e pediu um exame de sangue. Escarlatina o provável diagnóstico. Antibiótico o remédio para o tratamento, e repouso e isolamento da escola como medidas a serem tomadas. Mas o que me surpreendeu não foi este prólogo. A médica me disse que eu poderia conseguir o medicamento no posto de saúde próximo à minha casa.

Meio descrente disto, fui até o posto de saúde (unidade de Saúde, como chamam aqui), e mostrei a receita. Em menos de 2 minutos eu saía de lá com os remédios na mão. Além do antibiótico, que custa mais ou menos uns R$ 50,00 cada vidro (foram 2, por causa da dose), anti-térmico de R$ 5,00 e mais o anti-histamínico, que custa uns R$ 30,00. Saí do posto de saúde, sem apresentar um documento sequer, com mais de R$ 100,00 em remédio na mão. Eu poderia ter levado minha filha ao posto de saúde, ao invés do consultório, e consultado com a mesma médica sem custo algum. Agora me digam: isto é ou não é uma social-democracia dos trópicos?

 



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