QUAL O PREÇO DA CRISE?

            Nas últimas semanas muito se tem falado da atual crise de crédito, e eu, inclusive, dei minha cota de pitacos sobre o que tem sido feito. Nos jornais, o sentimento geral é de que a decisão dos bancos centrais em socorrer as instituições financeiras é positiva, pelo estrago que se evita na "economia real". Em suma os governos estão pensando que o preço a pagar pela intervenção nas instituições financeiras é barato frente aos benefícios.

            Contudo, há um custo que não tem sido contabilização nesta série de intervenções: o custo político deste processo. Primeiramente, pela vazão raivosa aos sentimentos anti-liberais e uma revalorização do intervencionismo keynesiano, que aparece como salvador das pátrias. É o ocaso do liberalismo, segundo vários comentaristas, o muro de Berlim da direita. O segundo ponto, talvez mais importante e pouco mencionado, é a transferência de poder para os governos. Aí me vem a mente o livro "O caminho da servidão" de F. Hayek.

            No livro de Hayek, ele mostra como as necessidades da guerra fizeram as economias capitalistas entregar grande poder nas mãos dos planejadores do governo. Em questão de alguns anos, cerca de 10 no total, os ingleses passaram para o Estado o controle de bancos, minas, aluguéis, fábricas, etc., com o objetivo de vencer os nazistas e depois reconstruir o país. Os ingleses levaram mais de 30 anos para recuperar o espaço perdido com as privatizações dos anos 1980.

            Nos últimos anos muito poder foi entregue na mão dos estados ao redor do mundo: os europeus depositaram suas moedas e bancos centrais nas mãos de burocratas do Banco Central Europeu, e os americanos concederam diversos poderes à União para fazer frente à guerra ao terror. Agora, com a crise financeira, os cidadãos estão, voluntariamente, entregando suas economias às mãos do estado. Estão vendendo ativos para o Estado a preço de banana, pago com dinheiro que sequer existe na forma de economias prévias, e portanto, é inflacionário. Além disso, estão tomando empréstimos do governo, grandes somas, em troca de controles mais rígidos sobre a atividade financeira.

            O verdadeiro custo das intervenções não são os US$ 700 bilhões do Tesouro dos EUA ou os £50 bilhões liberados pela Inglaterra. O verdadeiro custo, imensurável, são as regulamentações, as intervenções, as novas leis de controle e restrição. É a dispersão da crença de que o mercado financeiro é um cassino, e de que o cassino é uma coisa ruim, feia, imoral. Mainarde em seu artigo semanal da Veja fala do mercador de Veneza, que emprestava em dinheiro tomando um naco da carne de seus devedores como garantia. Algumas pessoas, que não souberam arcar com as próprias responsabilidades, estão entregando nossas liberdades para governos ávidos de poder. Estão vendendo por alguns bilhões o patrimônio mais importante que temos, o único capital que nos permite superar todas as crises. Levaremos muitos anos, talvez décadas para recuperar a liberdade perdida, se é que a recuperaremos um dia.

            A vitória atual do keynesianismo sobre o liberalismo clássico, à moda de Hayek e Mises não decorre das falhas da teoria econômica liberal, mas do próprio mecanismo keynesiano. Em artigo do final de setembro, Krugman, que não é nenhum partidário do liberalismo, traz a informação de que os títulos do governo americano estavam sendo negociados com juros de 0,05% ao ano, frente aos 3,2% dos bancos privados. Isto é, não há mais espaço para políticas keynesianas de corte de juros. É o drama do banco central japonês que não pode baixar os juros porque ele já é negativo, na prática uma negação do conceito mesmo de juro. A aplicação contínua das políticas de estímulo ao crescimento, baseadas naquele "liberalismo keynesiano" que já comentei aqui no blog, é o pai da crise atual.

            Por isso, deixo aqui como recomendação de releitura para todos aqueles que estão se sentindo oprimidos pelo keynesianismo, o livro que lançou a idéia mais ousada e, cada vez mais, necessária, para o triunfo liberal: "A desestatização da moeda" de F. Hayek. Aos curitibanos, o livro está disponível na Biblioteca Pública do Paraná, e certamente está em outras bibliotecas de outras cidades também. A moeda deve ser privatizada, para que o governo não tenha mais esta via para coletivizar o mais privado dos nossos bens, a liberdade.


Fernando R.



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