ÔNIBUS SÃO MAIS LENTOS QUE AUTOMÓVEIS E A QUESTÃO DOS TÁXIS

 

No Caderno Cidades/Metrópole do Estado de S. Paulo de hoje (quinta, 6/3/08), na página C5 saiu uma reportagem sobre a velocidade dos ônibus em São Paulo. fica claro porque as pessoas que podem preferem automóveis: a velocidade média dos automóveis é de 27 km/h pela manhã e de 22 km/h ela tarde. Nos ônibus a velocidade média é de 12 km/h, chegando em alguns trechos a 19 km/h, mas em outros fica abaixo disso. A velocidade média de um ciclista sem preparo físico, numa rua congestionada fica por volta de 22 km/h. Daí se supõem de motociclistas devem atingir uma velocidade média significativamente superior a dos automóveis.

A questão reforça o quem venho dizendo a tempo: o transporte público não funciona bem, e só quem não pode usar outros meios opta por ele. Na semana passada saiu um informativo da ANTT de que o número de viagens individuais já superou o de viagens em coletivos nas cidades com mais de 60 mil habitantes. O Crescimento no uso de motocicletas contribuiu muito para isso. Em planejamento a urbano a questão deve ser modificada, colocando em evidência o que se quer com a política de transporte: favorecer a mobilidade do cidadão ou promover determinado modal de transporte em detrimento de outro?

No caso de São Paulo a solução apontada por "especialista" é a de que se deve priorizar para os ônibus o uso das vias. Em Curitiba, que é a cidade que mais amplamente viabilizou esta estratégia, o resultado foi satisfatório até certo ponto. Temos um sistema de ônibus que corre por canaletas exclusivas, que não resolveu muito o problema da velocidade nos deslocamentos, que até onde sei fica abaixo de 25 km/h (e a velocidade dos automóveis em Curitiba é também maior que em São Paulo, deixando o sistema de ônibus igualmente lento). Além disso, o sistema faz dezenas de vítimas todos os anos, sobretudo ciclistas e crianças atropelados por ônibus de 30 metros que se deslocam a 60 km/h nos pontos de maior velocidade.

Vou reforçar aqui minha opinião: um sistema de transporte urbano multimodal, que vise a mobilidade do cidadão deve ser necessariamente multi-modal, favorecendo os deslocamentos combinados entre automóvel e ônibus quando for conveniente e possível. Para isso é preciso romper com a aparente dualidade entre transporte coletivo e transporte individual, e pensa-los simplesmente como formas de transporte urbano que devem cooperar para a mobilidade dos cidadãos.

Aproveitando a nota, gostaria de fazer uma menção sobre a questão dos táxis. Em Curitiba há pouco mais de 2.250 licenças para táxis. Isto é menos do que há em outras capitais. Por exemplo Porto Alegre tem 3.925 táxis e Salvador 7.264. Não sei destas outras cidades, mas em Curitiba um taxista ganha, descontadas as despesas, uma média de R$ 4.500,00 por mês, o que me parece absurdo, dado um motorista particular tira muito menos por mês. Em Curitiba há 1,27 táxis para cada mil habitantes. Só para comparar em São Paulo há 2,97 e em Recife, 4,03. Este índice me parece indicativo de um claro contra-senso, já que o PIB per capita de Curitiba é quase 60% maior que o de Recife (R$ 16.000,00 contra R$ 10.000,00) é isto tornaria Curitiba mais "apta" a ter mais passageiros de táxi que Recife, o que não parece ser o caso. Seriam necessários 5.392 licenças de táxi na cidade para chegar ao índice de São Paulo, o que significaria adicionar quase 3.500 táxis à frota atual, o que num cálculo simples daria quase 5.250 empregos considerando que cada táxi daria 1,5 empregos em média. Isso apenas em empregos diretos, sem considerar os indiretos. Ou ainda uma outra medida, que eu julgaria mais justa, que seria a extinção da necessidade de licença para a exploração do serviço de táxi, liberalizando o mercado (e acabando também com as isenções de impostos que considero absurdas). Vou ficar por aqui, mas como se vê o assunto gera vários questionamentos, e mostra a necessidade de mudança do enfoque das políticas de transporte.



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