SAÍDAS DA CRISE

Por Fernando Raphael Ferro
            Este ano de 2015, ao que tudo indica, será uma catástrofe. Digo será porque o dado do PIB ainda não foi divulgado, bem como os dados das vendas. Mas a queda em relação a 2014 será superior a 3%, certamente uma das maiores da história do país e a maior da era Real. A inflação está acumulada em 10,48%. Para 2016 as perspectivas também são ruins, com a continuidade da recessão. No Boletim Focus de 31 de dezembro, a expectativa do mercado era de que a inflação fosse de 6,94% para os próximos 12 meses. Taxa de câmbio a R$ 4,21 e queda de -2,95% no PIB, com -3,5% na produção industrial. Algo que deve ser destacado é que os analistas que compõem o boletim Focus tendem a ser otimistas sempre, com suas expectativas se deteriorando ao longo do ano.
            Assim, ao que tudo indica, 2016 é um ano perdido, mais um para a série que se iniciou em 2011. Não tenho expectativas que o novo ministro da economia, ex-planejamento, consiga fazer algo útil, mesmo porque seu viés está mais para Mantega do que para o demissionário Levi, que pelo menos tinha ideia do que era necessário.
            Para o governo federal sair da crise que se encontra, o caminho mais rápido seria a renúncia da Dilma. Bem, ao que tudo indica isso é inviável. Mas mesmo que ocorresse, os problema econômicos não se resolveriam, apenas os políticos (o que já seria um bom começo, é verdade). Os problemas econômicos brasileiros tem origem em algumas questões que não foram enfrentadas desde do governo Lula. São elas a baixa produtividade, que além de tudo não cresce, os avanço da inflação, sobretudo nos serviços (que é o maior setor da economia), e pressão inflacionária em diversos setores causada pelo represamento de preços.
            Algumas medidas que vou sugerir exigem reformas que precisam de maiorias no congresso, o que considero inviável no momento. Portanto, uma reforma trabalhista, previdenciária, administrativa e tributária, são virtualmente impossíveis hoje. Mas restam algumas ações que dariam fôlego ao governo para diminuir a inflação sem pressionar tanto o orçamento público via aumento de juros.
            Uma das medidas seria a redução drásticas das alíquotas de importação no país. Com isso, produtos estrangeiros entrariam em nosso mercado a preços menores e mais concorrência viria para cá. Claro que, com o câmbio ao redor de R$ 4,00, os importados já perderam boa parte do sex appeal, mas ainda há muita coisa vantajosa lá fora, impedida de entrar por alíquotas protetoras. Isso pressionaria ainda mais o câmbio, mas teria duas vantagens: melhoraria a competitividade das industrias brasileiras capazes de exportar, caso da de automóveis, máquinas agrícolas, medicamentos, e agrominerais, melhorando a renda interna desses setores, que encontram-se, em geral, deprimidos. Esta abertura também favoreceria a produtividade, pois os setores estagnados fechariam.
A crise em si ira pressionar o emprego, sobretudo na indústria que é a atividade mais prejudicada. Isso irá aumentar a oferta de mão de obra no setor terciário, o que provavelmente ajudará a controlar a inflação neste setor. E a alta da gasolina não deixou de ser uma boa notícia para o setor sucroenergético, que pode recompor suas margens na venda de etanol.  Assim, alguma esperança de investimento pode vir desta área para 2017/18, com ampliação de áreas e até mesmo reativação/ampliação de usinas.
O mercado externo, assim, é uma grande oportunidade de saída para crise para o governo Dilma, mesmo porque, ao contrário do que a propaganda oficial vem dizendo, o mundo lá fora não está em crise. Ao contrário, a roda segue girando numa velocidade confortável. A crise é atualmente nossa. Agarrar-se ao mundo é uma chance de sairmos do torvelinho que nos prende ao funda da banheira.

Mas adiante, isto é, quando o pior passar, será necessário enfrentar reformas cruciais, que deem ao Estado Brasileiro a capacidade e agilidade para permitir o financiamento de obras de infraestrutura e da educação para a produtividade. Isso implicará mudanças na estrutura administrativa, tributária, trabalhista e previdenciária, que em menor ou maior grau, determinarão nossa capacidade futura de crescimento.

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