TRANSPORTE PÚBLICO VS. TRANSPORTE INDIVIDUAL – UM CUSTO NÃO CONTABILIZADO

            Em outras oportunidades neste blog já foram tratadas as questões pertinentes ao planejamento urbano e a questão dos transportes. A greve dos metroviários em São Paulo, no entanto, me faz voltar ao tema. Isso porque além dos custos que são contabilizados em favor do metrô e dos transportes públicos em geral, dificilmente são incluídos o custo político de se manter um sistema estatal de transporte. A greve que está ocorrendo desde ontem em São Paulo é o maior exemplo disso que podemos ter no Brasil.

            Os sindicalistas do metrô não se importam em utilizar os 20 milhões de habitantes da metrópole de São Paulo como reféns em seu plano para receber mais dinheiro; do mesmo modo, não se incomodam em fazer isso para protestar contra possíveis ameaças às suas "conquistas". Despudoradamente eles usam a população para atingir seus fins, fato que é comum às pessoas de pretensões totalitárias, e ainda dizem estar agindo em interesse da coletividade.

            Em minha opinião, como cidadão e também como técnico, é realmente necessária a existência de transporte coletivo nos grandes centros urbanos. No entanto, esse sistema não deve ser necessariamente público, podendo ser gerido por empresas privadas. E em caso de recebimento de subsídios públicos, o sistema deve ser tratado como de prioridade máxima, com punições severas a todas as tentativas de paralisação do sistema, seja greves, atentados, sabotagens, ou quaisquer outras alternativas imagináveis.

            A greve mostra porquê pessoas ansiosas por poder defendem com tanto ardor os transportes coletivos (públicos principalmente), ao invés do transporte individual. É que através desses fica mais fácil barganhar, já que toda uma cidade pode ser usada como refém, enquanto no caso do transporte individual fica muito mais difícil faze-lo. A promoção do transporte individual continua sendo, em minha opinião, a melhor maneira de administrar o trânsito nas grandes cidades, ainda que seja por formas alternativas de transporte, como o uso de táxis, bicicletas, caminhadas ou motocicletas, essas sim veículos dimensionados para a necessidade das grandes cidades.


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