Postagens

Mostrando postagens com o rótulo resenha

AS IDEIAS CONSERVADORAS EXPLICADAS A REVOLUCIONARIOS E REACIONÁRIOS, DE JOÃO PEREIRA COUTINHO – RESENHA

Imagem
Por Fernando R. F. de Lima.             O livro “ Asideias conservadoras [...] ” de João Pereira Coutinho é certamente uma das leituras mais agradáveis que se pode encontrar atualmente em uma livraria brasileira. Escrito de forma concisa, elegante e clara, possui um grau de erudição suficiente para que sintamos inveja do autor, mas não exagerado a ponto de acharmos que se trata de um acadêmico pedante. Voltado ao consumo tanto de revolucionários (e aspirantes), quando reacionários, como o título indica, mas também para os ignorantes do assunto e o público com tendências conservadoras. Aliás, como destaca o autor, conservadores somos todos, ao menos nos assuntos mais íntimos, como família, amores e prazeres. O livro é útil também para aqueles que gostariam de melhor embasar seu sentimento profundo de indiferença a todas as ideologias que estão a venda no atual mercado de partidos, ainda mais no momento eleitoral. O autor apres...

RESENHA: O GENE EGÓISTA, DE RICHARD DAWKINS

Imagem
Por Fernando R. F. de Lima. Richard Dawkins é um autor polêmico. Talvez sua obra mais lida e conhecida seja Deus, um delírio , ou ainda O relojoeiro cego , mas o fato é que o vigor de seus trabalhos científicos é que fizerem dele uma das maiores autoridades vivas quando o assunto é evolucionismo. Publicado em 1976 originalmente, o Gene Egoísta é um trabalho que marcou época por apresentar às grandes massas e também aos cientistas uma nova abordagem ao considerar os mecanismos pelos quais se dá a evolução. Assim como a maioria dos leigos em biologia, eu sempre imaginei que a seleção natural ocorresse organismo a organismo. O que Dawkins destaca, no entanto, é que nós, organismo complexos, somos apenas os veículos através dos quais os replicadores existem. E estes replicadores são os genes. Os genes compõem as moléculas de DNA, mas não são eles próprios autônomos. A seleção natural, contudo, ocorre, de acordo com Dawkins, gene a gene. Aqueles capazes de colaborar melhor com se...

RESENHA: Mulheres, de Charles Bukowski. Tradução de Reinaldo Moraes.

Imagem
Por Fernando R. F. de Lima.           Se os livros tivessem aquela classificação indicativa que bem atrás dos jogos de video game e dos filmes, a maioria dos livros de Bukowski ficaria reservada para maiores de 16 anos, e este livro, Mulheres, para maiores de 18. O tema sexo e violência está presente em todo o livro. Menos violência e mais sexo, diga-se de passagem. Mas é um tipo de literatura despretensiosa, que me agrada, porque a leitura pode ser feita sem o menor compromisso. Muito do que lemos em Bukowski, com seu estilo autobiográfico, (“ficção é a vida melhorada”, diz uma frase atribuída a ele), é como a vida mesma: vazia e sem sentido na maior parte do tempo, mas iluminada por alguns momentos de grandeza. Para ilustrar o que digo, destaco duas passagens: “A segunda luta foi boa também. A galera berrava e urrava e se empapuçava de cerveja. Eles tinham fugido provisoriamente das fábricas, armazéns, matadouros, postos de gasolina, e estaria de volta...

RESENHA – O PROCESSO CIVILIZADOR: uma história dos costumes vol. 1 de Norbert Elias. Jorge Zahar Editor

Por Fernando R. F. de Lima               O livro O processo civilizador: uma história dos costumes vol. 1, de Norbert Elias, teve sua primeira edição em 1939, na Suíça. Exilado nos EUA, depois de muitos anos o livro ganha uma edição inglesa em 1978 e apenas em 1990 a primeira edição em português. Chega ao Brasil, portanto, junto com uma nova onda na historiografiade tratar da História dos Costumes ou da vida privada. Contudo, deve-se destacar que o livro de Elias é anterior a esta espécie de moda na história, e contemporâneo de historiadores como Fernand Braudel.              Este livro de Norbert Elias trata especificamente da mudança nos costumes da sociedade européia que se processa entre os séculos XIII e o século XIX. Este período, como ele destaca, desenvolve-se aquilo que ficou conhecido como sociedade de corte. O final do período estudado, já no século XIX, ...

CARNAVAIS, MALANDROS E HERÓIS

Imagem
Por Fernando R. F. de Lima. (20 de janeiro de 2010) Lendo Roberto DaMatta, mais especificamente Carnavais, Malandros e Heróis (5ª edição, editora Guanabara, 1990), a gente pode ter uma idéia e uma compreensão melhor do porquê o Brasil é o que é e como é. Mas ao invés de entrar nesta questão, vou fazer algumas voltas antes de entrar no assunto do livro especificamente. Primeiramente, o livro de Roberto DaMatta não é o tipo de livro que desperta o interesse e o gosto dos liberais-conservadores brasileiros. Primeiro, porque ele é um livro que usa de instrumentais, bibliografia e conceitos que muitas vezes soam como agressivos aos ouvidos afinados pelo discurso liberal, conservador e capitalista. A idéia de exploração do trabalhador, por exemplo, permeia todos os capítulos. O pobre, além de preto, é um explorado pelo sistema formado pelas elites brasileiras. E nossa sociedade democrática, igualitária, é vista por suas hierarquias internas. Portanto, do princípio ao fim, Carnavais, Malandro...

Avatar - um bom filme bocó.

Imagem
Primeiramente, gostaria de deixar claro aos leitores que este texto foge ao padrão do blog. É mais informal, com uma linguagem mais solta. Diria até experimental. Vou deixar registradas minhas impressões sobre um filme. Comecemos pela opinião geral. Eu achei a fotografia do filme Avatar muito bonita. Parecia um videogame. A floresta que brilha no escuro era uma atração à parte. Há, contudo, duas falhas. Primeiro o roteiro. Dá pra sacar no início qual será o desfecho da história. Segundo, o fato dos Na'vi se encarregarem ensinar sobre sua cultura ao fuzileiro. Aquilo também me pareceu muito idiota: Quando aparece um o chefe diz: ensinem-lhe tudo sobre nossa cultura. Ué, não seria o contrário? Aprendam tudo sobre a cultura dele? Os métodos de guerra, armas, etc? Achei interessante a tal conexão entre todos os seres, que não era mental, ou metafísica. Era física mesmo. Algo como um cabo USB dado pelo rabicho que todos tinham, que se conectava ao rabicho do outro como fibras óticas. Se...

RESENHA – COLAPSO - JARED DIAMOND, 4ª edição, Ed. Record, 2006.

Outro dia, fiz aqui no blog alguns comentários a um texto de Jared Diamond publicado no final dos anos 1980, no qual fiz diversas críticas ao modo como ele tratou a questão da "escolha" que nossos antepassados fizeram pela agricultura. Na ocasião comentei que aquelas idéias apresentadas pelo autor diferiam bastante daquilo que é apresentado em Colapso, seu último livro, até onde sei, e um dos de maior repercussão no Brasil, junto com Armas, Germes e Aço. Acho que Diamond é o tipo do autor que permite visualizar em seus escritos uma clara mudança, para melhor, ao longo da carreira. Obviamente, isto não isenta o livro de problemas. Na página 435, por exemplo, ele afirma que "poluentes como os óxidos de nitrogênio e dióxido de carbono estão aumentando", quando o dióxido de carbono, conhecido por sua sigla mais famosa (CO2), não é um poluente, apesar de ser um gás estufa. Ele também faz uma distinção entre crescimento e crescimento exponencial, como se uma coisa f...