AOS INTOLERANTES, INTOLERÂNCIA!

Por Fernando Raphael Ferro.

O amor é mais forte que o
Ódio: Será?
            Nos anos 1950, após a Segunda Grande Guerra, muita discussão houve no meio liberal sobre a necessidade ou não se proibir ou liberar as manifestações nazi-fascistas e mesmo comunistas no mundo ocidental. A posição de grandes nomes pró-liberdade, como Hayek, por exemplo, era a de que não se pode ser tolerantes com os intolerantes. Do mesmo modo, filósofos como Raymond Aron, da França, em Sociedade Aberta e seus Inimigos, já destacavam que os liberticidas utilizam-se das próprias liberdades das sociedades abertas para destruí-las.
            Trago este prelúdio à tona a respeito das manifestações de notórios liberticidas à respeito dos atentados cometidos pelos fanáticos/lunáticos muçulmanos contra os jornalistas franceses na semana anterior. Destaco o texto repugnante daquele que já foi padre da Santa Madre[1], Leonardo Boff, em que acusa as charges dos cartunistas franceses de “perigosas, criminosas até”. Os motivos elencados, segundo ele, são a intolerância.
            De acordo com o ex-padre, o fato de a religião muçulmana não permitir retratar o suposto profeta Maomé impediria que qualquer o pessoa o retratasse. Bobagem obviamente; é um preceito central da crença ocidental que qualquer um tem o direito de desenhar o que quiser numa folha de papel, e nem por isso os islamitas se esforçam em respeitar este princípio. O islã é ofensivo à cultura ocidental. Além disso, todas as suas contribuições à nossa civilização estão no passado (se eu estiver muito errado, me corrijam via comentários, elencando as importantes contribuições ao ocidente realizadas em língua árabe ou promovidas por islamitas na ciência ou arte nos últimos 25 anos. Ou sendo mais generoso, 50 anos. Até 100 anos para ser bem legal com eles).
            O islã, diga-se a verdade, é homofóbico, anti-democrático, dogmático, ritualístico, intolerante a qualquer desvio de seus preceitos de fé. O islã não se adapta ao direito romano ou consuetudinário, querendo impor a sharia em qualquer que seja a comunidade onde viva. O islã é misógino, tratando as mulheres como eternas crianças, ou pior, objetos sexuais, sujeitas eternamente à vontade do pai ou do marido. Qualquer esquerdista imbecil que defenda o islã vai contra os próprios colegas gays e feministas. Gostaria de calcular quanto tempo duraria um ativista homossexual numa sociedade fechada como a palestina do Hamas ou a Síria, ou ainda o Irã. Ou ainda uma militante do Femen (imaginem uma mulher sem camisa segurando um cartaz no Cairo, quantos segundos duraria?), ou talvez uma ativista enfezadinha pró-escolha (abortista), como se dizem. Certamente, seria muito mais tolerada uma moça de boa família protestante, apesar de seu discurso ser certamente muito mais oposto ao islã que o de qualquer estudante de sociologia ou letras das universidades públicas.
            Boff, em seu texto, diz que Charlie Hebdo, com sua caneta promovia a Islamofobia. Que eles promovia ataques de grupos de extrema-direita que matavam pessoas. Chama Hebdo de hipócrita. Obviamente, acreditar em Boff é torcer a realidade. Basta se perguntar quantos foram os muçulmanos mortos por não muçulmanos na França, em especial por não muçulmanos de extrema-direita, e quantos foram os não-muçulmanos, cristão e ateus, mortos por islamitas na França nos últimos dez anos.  Se tomarmos a Europa como um todo então: quantos ateus e cristãos morreram nos atentados ocorridos na Espanha (191), em Madrid? Quantos nos atentados em Londres (56)? Quantos foram os mortos nos atentados do World Trade Center em Nova York (2996)? Quantos muçulmanos foram mortos motivados pelas charges de Hebdo pela suposta "extrema-direita"?
Boff não se dá ao trabalho de fazer a conta. Obviamente, muito mais muçulmanos são mortos por muçulmanos que por cristãos, e eles são os verdadeiros assassinos nesta guerra. As forças militares ocidentais que atuam no oriente médio matam, é verdade, muita gente, mas como resposta a uma guerra que eles mesmos (os radicais islâmicos) insistiram em começar, e o ocidente, de forma muito tímida e medrosa, resolveu acatar.
Eu não creio no islã. Para mim, Maomé é só uma fraude e não um profeta. À ele está reservado um lugar, no nono compartimento do inferno, o dos criadores de cismas religiosas, como bem retratou o poeta italiano, Dante, que no passeio com Virgílio o encontrou:
(...)
Già veggia, per mezzul perdere o lulla,
com' io vidi un, così non si pertugia,
rotto dal mento infin dove si trulla.

Tra le gambe pendevan le minugia;
la corata pareva e 'l tristo sacco
che merda fa di quel che si trangugia.

Mentre che tutto in lui veder m'attacco,
guardommi e con le man s'aperse il petto,
dicendo: «Or vedi com' io mi dilacco!

vedi come storpiato è Mäometto!
Dinanzi a me sen va piangendo Alì,
fesso nel volto dal mento al ciuffetto.

E tutti li altri che tu vedi qui,
seminator di scandalo e di scisma
fuor vivi, e però son fessi così.
(Canto XXVIII)[2]

Este fresco, de Giovanni da Modena, representa o
Inferno de Dante e retrata Maomé no inferno a ser
devorado pelos Demónios, em Bologna, Italia, Igraja de San
Petronio.
Provavelmente, os muçulmanos gostariam, se pudessem, de queimar ou de solicitar ao povo italiano que rasgasse este trecho da obra de Dante. Aceitem ou não, o islã é um cisma religioso. Mas a questão não é esta. Não se trata de um ataque ao islã. Se trata do fato deles não nos tolerar. Supondo, seguindo Boff, que o jornal fosse comportado. Teria o destino de Hebdo sido diferente? Os ataques seriam menores? O Islã esqueceria de nós?. Como explica no texto de hoje (13/01/2015) da Folha de S. Paulo, João Pereira Coutinho, A loucura é contagiosa, no final dos anos 1930:

“(...) Hitler devorava a Europa, pedaço a pedaço, em busca de seu “espaço vital”. Mas as avestruzes britânicas acreditavam que tudo seria diferente se o lunático Adolfo tivesse sido tratado com “respeito” pelos jornais” (COUTINHO, 2015.)

            Mas não, o islã não seria diferente. A razão do ódio contra o Ocidente não é apenas a liberdade de imprensa. Coutinho elucida com o óbvio: “não somos nós os culpados pelo loucura dos outros. Imaginar o contrário, por medo ou ignorância, é simplesmente partilhar a loucura em que eles vivem.” Ou seja: mesmo jornais comportados não seriam capazes de impedir ataques ao ocidente. Boff, além de espalhar mentiras, tenta atribuir às vítimas a culpa pela própria morte, como se os lunáticos, fanáticos islâmicos que mataram jornalistas desarmados fossem movidos pelo “legítimo” interesse de defender sua religião de “paz”, que por sinal abertamente prega a guerra contra os infiéis (no caso, nós).
            Não creio. Mas se fosse o caso, gostaria de ver o falso profeta com as tripas abertas e a cabeça decepada ardendo no inferno quando por lá me aventurasse após meu tempo neste mundo. Certamente encontraria todos os suicidas que entregam a própria vida na causa vazia desta cisma catastrófica chamada islã.




[1]  Um dos motivos de minha profunda admiração e eterna gratidão ao então Cardeal Ratzinger e hoje papa Bento XVI foi esta frase após analisar os escritos de Leonardo Boff: "as opções aqui analisadas de Frei Leonardo Boff são de tal natureza que põem em perigo a sã doutrina da fé, que esta mesma Congregação tem o dever de promover e tutelar". 
[2] Qual tonel, que aduelas perde ao fundo,// Estava um pecador, que roto eu via// Das fauces ao lugar que é menos mundo.//As entranhas pendiam-lhe; trazia//Patentes os pulmões e o saco feio,//Onde o alimento de feição varia.//A contemplá-lo estava de horror cheio,//Eis me encara e me diz, abrindo o peito://“Vê como eu tenho lacerado o seio!// “Maomé sou, quase pedaços feito;//Antecede-me Ali, que se lamenta://Do mento à testa o rosto lhe é desfeito.//“Todos, que a dor aqui tanto atormenta,//De escândalos, de cismas inventores,//Pendidos têm, qual vês, pena cruenta.

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