MAIS UMA SOBRE CRISE DE CRÉDITO

 

            No texto anterior acabei não abordando duas outras questões sobre o crédito no Brasil. Apenas 30% da população do país desfruta do benefício do acesso ao sistema bancário, seja para ter uma conta corrente, poupança ou modalidade de crédito. Além disso, destes 30%, cerca de 60% usam a conta apenas para receber o salário, que é logo em seguida sacado e guardado em casa. Isto significa que uma parcela muito pequena da população tem acesso ao crédito para comprar veículos ou casas.

            Por isso um crise sub-prime me parece impensável no país hoje, porque as taxas de bancarização estão crescendo aceleradamente, expandindo a base de clientes dos bancos, e fazendo com que mais e mais pessoas cheguem ao sistema para amortizar uma eventual crise com as classes mais abastadas.

            Ao contrário dos EUA, o déficit imobiliário no Brasil impediria uma queda acentuada no preço dos imóveis, e uma conseqüente desvalorização em massa dos ativos. Temos que lembrar que cerca de metade da população mora em favelas, ou seja ativos que não podem ser convertidos em financiamentos, e que, boa parte delas trocaria seu barraco precário por um apartamento caso lhes fosse possível ter acesso ao crédito.

            A grande vantagem do Brasil e de outros emergentes, como a Índia e a China, é que por aqui há muita coisa ainda por ser feita, e pouca competição entre aqueles que efetivamente podem fazer alguma coisa. Com isso, os setores imobiliário, automobilístico e financeiro estão muito bem amparados por lucros e saldos em caixa suficientes para fazer frente a qualquer crise no setor, ainda que esta seja longa. Se não sairmos do caminho trilhado até então de ampliação da economia de mercado, dificilmente uma crise de grande porte se abaterá sobre nós, pois o capitalismo ainda tem muito o que fazer por aqui.



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