RESSACA PÓS-ELEIÇÃO


Por Fernando R. Ferro
Passada a eleição e constada a derrota de Aécio Neves, me bateu um tremendo sentimento de preguiça metal, provavelmente uma tentativa do meu corpo de se adaptar ao estado geral da nação. A vontade de escrever nos últimos 30 dias tem sido nula. Os dois últimos textos publicados neste blog só saíram porque foram escritos e programados antes do dia 26, pois depois, praticamente nada foi escrito.
Na prática, não houve mudança alguma no país. Não falo apenas por causa da eleição. Tivesse o Aécio ganhado, nada teria igualmente mudado, exceto as perspectivas para o futuro. A preguiça decorre de outro sentimento: o de inutilidade de qualquer tentativa de mudança. E olhem que falo de um verdadeiro paraíso, uma vez que aqui em Curitiba 75% dos eleitores que se dignaram a votar disseram não à Dilma.
O fato é que tudo resta igual na república. As mesmas músicas ruins, os mesmos péssimos programas de televisão, as mesmas velhas notícias, e mesma matança diária infinita, que leva 50 mil vidas todos os anos. As melhores novidades dos últimos 30 dias se resumiram ao show do Paul McCartney e, bem, não consigo lembrar nada relevante.
As crianças continuam crescendo, assim como a grama, e o sol nasce e se põe todos os dias. À noite, podemos contemplar a lua e as estrelas, quando nuvens não impedem a vista.  Tudo isso segue sendo como sempre foi. No país, as coisas parecem tão imutáveis quanto da natureza dos astros: a estupidez de nossos concidadãos, a incapacidade de nossos dirigentes, a imutabilidade das grandes questões nacionais, que objetivamente falando, não são nem grandes nem nacionais.

Todo este mau humor pode ser apenas ressaca pós-eleitoral, mas pode ser também um retrato do eterno país do futuro. Diante de qualquer das alternativas, a questão é que não encontro motivação para escrever, visto que os leitores que me leem não precisam ser convencidos, e que os que precisariam ser ou não sabem ler ou não sabem que existo. Sigo assim, pleno de minha insignificância, curtindo com meus óculos escuros esta ressaca no país do absurdo.

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