CONSIDERAÇÕES SOBRE O FRACASSO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA.

Na edição da revista exame de 24 de setembro, a matéria de capa trata do fracasso brasileiro na educação. Seu título, bem sugestivo, é A Burrice Mata. As inúmeras deficiências que o país possui, que vão do marco regulatório confuso, judiciário ineficiente, corrupção generalizada no legislativo e executivo, além de uma infra-estrutura muito ineficiente, são completados por uma educação de nível baixíssimo, a pior entre os emergentes segundo a reportagem.
Com esse quadro de desvantagens comparativas não é de se assustar que o Brasil seja o emergente de menor crescimento econômico no mundo. Quando o candidato de uma nota só bate repetidamente na tecla de que a educação é a única saída para o país, ele não deixa de ter razão. Mas a questão que nos propomos a tratar é que tipo de educação.
Se avaliarmos os indicadores de educação, veremos que nos últimos 30 anos o país vêem progredido no assunto: foi reduzida a evasão escolar e a repetência, aumentaram os índices de alfabetização, o número de matrículas, e se chegou a universalização do ensino fundamental, de modo que o analfabetismo parecia estar pronto para ser definitivamente solucionado, restando apenas as parcelas mais velhas da população para serem alfabetizadas, com o problema virtualmente resolvido.
O que acabamos vendo, no entanto, é que, graças aos instrumentos de avaliação criados para acompanhar o processo, o analfabetismo funcional disparou, e que hoje parte considerável dos alunos de 4ª e 8ª séries não sabem ler de modo adequado. As crianças passam oito anos de suas vidas na escola e grande parte delas não é sequer capaz de ler e resolver problemas matemáticos simples. Isto quer dizer que elas vão para escola para desperdiçar tempo e dinheiro, já que não aprendem aquilo que deveriam aprender. A questão é: o que aconteceu com a escola?
A primeira vista poderíamos dizer que se trata de um grande fracasso da educação no país, já que muito dinheiro tem sido investido para resultados tão pífios. Mas se nos detivermos um pouco mais, para pensar, veremos que esse resultado é na verdade o ponto máximo do modelo sonhado por diversos “educadores” brasileiros.
O ensino que leva as crianças a compreenderem os caracteres de um texto e o interpretarem de acordo com o que as palavras dizem, que permite ao aluno resolver uma questão de matemática básica foi, graças a nova pedagogia, praticamente eliminado do país. O que se tem hoje é a pedagogia libertadora, que ensina as crianças que não há limites para sonhar. E que há sempre algum político oportunista no PT para tentar realizar esses sonhos.
A pedagogia que se tem nas escolas, da falta de responsabilidades, da não exigência, do politicamente correto, esta pedagogia está ensinando os jovens e crianças que têm esse desempenho péssimo nos testes. O professor é desresponsabilizado porque não tem um salário decente. O aluno, porque não tem uma família perfeita. A sociedade porque é desigual. O raciocínio é o seguinte: não melhoraremos as notas enquanto não for melhorada a desigualdade de renda. A realidade pode até ser inversa, já que o ensino nivela as oportunidades, e com o passar do tempo, as rendas. Mas qualquer “mantra” serve para justificar o fracasso.
Agora vejamos a situação por outro ângulo. Quais os eleitores do Sr. Presidente da república? Os que têm a capacidade de ler e compreender um texto? Aqueles que sabem o que significa dinheiro não contabilizado? Ou serão aqueles que não conseguem? Aqueles estudantes que situam-se entre os piores universitários do mundo? Sabemos que os eleitores do Lula são os pobres, principalmente aqueles mais desprovidos de informação, que não lêem jornal, não compreendem o noticiário, mas que recebem o bolsa família, ou seja, vendem o voto por comida.
A educação que temos gera esse tipo de cidadão. E é exatamente aquela que foi duramente conquistada pela esquerda, as custas do futuro do país. A escola tradicional encontra-se hoje praticamente abolida. O que temos é uma escola que educa, ensina e liberta num sentido bem diferente do que as palavras a primeira vista indicam.
Educa o aluno a não respeitar as tradições, os mais velhos e as regras. Faz isso “desconstruindo” os personagens históricos, os poemas, os textos. Ensina o aluno que as diferenças não existem, um ladrão e um trabalhador valem o mesmo, e muitas vezes são chamados pelo mesmo nome. A mentira e a verdade não passam de palavras, construções sociais ilusórias. Liberta o aluno das suas responsabilidades, que são transferidas sempre para outros, sejam seus país, seja seu governo.
Não há fracasso da educação no país. O que vemos como fracasso, é a expressão mesma do sucesso triunfante da esquerda. Os milhares de professores incapazes de ensinar são, na melhor das hipóteses, “inocentes úteis” a serviço dessa ideologia autoritária. Se vemos isso como fracasso, é porque ainda há uma parte da sociedade que conseguiu escapar deste processo. Mas essa parte tem diminuído, e está fadada a desaparecer.
Se quisermos ser um país onde haja desenvolvimento econômico e social, um país onde as empresas cresçam e gerem empregos, precisamos urgentemente partir para o ataque da nova pedagogia, e resgatar e aperfeiçoar o ensino tradicional. Precisamos de muito dever de casa, várias horas de ensino diário. Precisamos ler muitos livros por ano. Precisamos de disciplina nas salas de aula, e de punição para aqueles que não respeitam as regras. Precisamos voltar a ensinar que a cultura vale muito, e que é o único meio de se ascender, seja material, social ou espiritualmente. Isso tem que ser feito agora, enquanto temos pessoas capazes de ensinar. Em pouco tempo seremos um completo deserto do conhecimento, e aí não haverá mais solução. Seremos o Haiti.

Comentários

Anônimo disse…
Caro
de maneira nenhuma quero defender o PT. Mas, creio que o degringolar do ensino (relacionado a adoção de estratégias e abordagens pedagógicas heterodoxas) esteve muito mais vinculado aos intelectuais paulistas, da dita social democracia do PSDB, falo de Paulo Renato e antessessores do governo municipal de Covas, do que aos supostos discípulos de Paulo Freire. Falando sério, não importa que abordagem o professor e a escola adotem, se a intenção é falsa e o preparo é superficial... Mas, sem polêmicas, é só para tu também endereçares as ofensas explícitas aos esquerdistas de centro, ou aos centristas de esquerda. Lembra-te que eles são todos comunistas! hehehehehe

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