SAÍDAS DA CRISE
Por Fernando Raphael Ferro
Assim,
ao que tudo indica, 2016 é um ano perdido, mais um para a série que se iniciou
em 2011. Não tenho expectativas que o novo ministro da economia,
ex-planejamento, consiga fazer algo útil, mesmo porque seu viés está mais para
Mantega do que para o demissionário Levi, que pelo menos tinha ideia do que era
necessário.
Para o
governo federal sair da crise que se encontra, o caminho mais rápido seria a
renúncia da Dilma. Bem, ao que tudo indica isso é inviável. Mas mesmo que
ocorresse, os problema econômicos não se resolveriam, apenas os políticos (o
que já seria um bom começo, é verdade). Os problemas econômicos brasileiros tem
origem em algumas questões que não foram enfrentadas desde do governo Lula. São
elas a baixa produtividade, que além de tudo não cresce, os avanço da inflação,
sobretudo nos serviços (que é o maior setor da economia), e pressão
inflacionária em diversos setores causada pelo represamento de preços.
Algumas
medidas que vou sugerir exigem reformas que precisam de maiorias no congresso,
o que considero inviável no momento. Portanto, uma reforma trabalhista, previdenciária,
administrativa e tributária, são virtualmente impossíveis hoje. Mas restam
algumas ações que dariam fôlego ao governo para diminuir a inflação sem pressionar
tanto o orçamento público via aumento de juros.
Uma das
medidas seria a redução drásticas das alíquotas de importação no país. Com
isso, produtos estrangeiros entrariam em nosso mercado a preços menores e mais
concorrência viria para cá. Claro que, com o câmbio ao redor de R$ 4,00, os
importados já perderam boa parte do sex appeal,
mas ainda há muita coisa vantajosa lá fora, impedida de entrar por alíquotas
protetoras. Isso pressionaria ainda mais o câmbio, mas teria duas vantagens:
melhoraria a competitividade das industrias brasileiras capazes de exportar,
caso da de automóveis, máquinas agrícolas, medicamentos, e agrominerais,
melhorando a renda interna desses setores, que encontram-se, em geral,
deprimidos. Esta abertura também favoreceria a produtividade, pois os setores
estagnados fechariam.
A crise em si ira pressionar o emprego,
sobretudo na indústria que é a atividade mais prejudicada. Isso irá aumentar a
oferta de mão de obra no setor terciário, o que provavelmente ajudará a
controlar a inflação neste setor. E a alta da gasolina não deixou de ser uma
boa notícia para o setor sucroenergético, que pode recompor suas margens na
venda de etanol. Assim, alguma esperança
de investimento pode vir desta área para 2017/18, com ampliação de áreas e até
mesmo reativação/ampliação de usinas.
O mercado externo, assim, é uma grande
oportunidade de saída para crise para o governo Dilma, mesmo porque, ao
contrário do que a propaganda oficial vem dizendo, o mundo lá fora não está em
crise. Ao contrário, a roda segue girando numa velocidade confortável. A crise
é atualmente nossa. Agarrar-se ao mundo é uma chance de sairmos do torvelinho
que nos prende ao funda da banheira.
Mas adiante, isto é, quando o pior passar,
será necessário enfrentar reformas cruciais, que deem ao Estado Brasileiro a
capacidade e agilidade para permitir o financiamento de obras de infraestrutura
e da educação para a produtividade. Isso implicará mudanças na estrutura
administrativa, tributária, trabalhista e previdenciária, que em menor ou maior
grau, determinarão nossa capacidade futura de crescimento.
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