COMO MELHORAR A PRODUTIVIDADE NAS CIDADES
Por
razões óbvias, quando se trata da economia de um país a tendência principal é
focar-se nas ações do governo central. Quando fala-se em elevar a produtividade
da economia brasileira as responsabilidades parecem recair todas nas mãos da presidente
e sua equipe, além do Congresso Nacional. Porém, esta visão excessivamente
focada na macroeconomia, que leva aos maiores erros que os sucessivos governos
do PT têm cometido, mostra o quanto o desprezo pela microeconomia deixa brechas
para a melhoria da produtividade nas pequenas rotinas urbanas.
Antes de
entrar de neste tópico, é necessário dar uma definição para o que é
produtividade. Podemos defini-la, grosso modo, como um indicador que permite
avaliar o quanto de recursos (mão-de-obra, trabalho e capital) são necessários
para produzir uma dada quantidade de produtos e/ou serviços. Um aumento de
produtividade implica produzir a mesma quantidade de produtos e/ou serviços
utilizando uma quantidade menor de recursos. Um aumento na produção
simplesmente, pode manter, ou até mesmo reduzir, a produtividade desta
atividade. Se um aumento na produção gera aumento de produtividade, chamamos
economias de escala. Se o aumento na produção gera redução na produtividade,
chamamos deseconomias de escala ou perdas de escala.
Com esta
definição é possível seguir adiante fazendo algumas avaliações do que ocorre
nas cidades brasileiras. A primeira questão, que me parece óbvia, relaciona-se
ao lixo. A coleta de lixo é feita em grande parte de modo primitivo, quase artesanal.
Um caminhão com três ou quatro trabalhadores passa de rua em rua coletando
sacolas avulsas de lixo. Outra parte, o lixo reciclável, é coletado em sua
maioria por trabalhadores autônomos, com carroças puxadas a tração humana, os
famosos catadores de papel. Um rápido olhar permite ver o quão degradante é a
coleta de lixo nas cidades brasileiras, além dos riscos envolvidos para os
trabalhadores destas áreas. São milhões de pessoas no Brasil todo, em todas as
cidades, envolvidos neste tipo de trabalho que, por sua própria característica,
é de baixíssima produtividade.
Mas como
é esta coleta em lugares mais produtivos do mundo? Será que na Holanda, na
Alemanha ou no Japão a coleta é realizada da mesma forma? A resposta óbvia é:
não. Nestes países, uma
parte considerável por meio de tubulações de sução do lixo. Outra porção é realizada por caminhões que recolhem o lixo acondicionado em embalagens
padronizadas, deixadas em frente as residências. Um funcionário apenas coleta o lixo que aqui no Brasil
demanda no mínimo quatro pessoas.
A
separação de recicláveis também é realizada diretamente nas casas das pessoas e
a figura do catador simplesmente não existe. Mudanças no sistema de coleta das
grandes cidades brasileiras certamente aumentaria muito a produtividade neste
setor muitas vezes esquecidos mas, principalmente, liberaria mão de obra para
um melhor emprego em outros setores da economia.

Outra questão que venho repetindo é o emprego de cobradores de ônibus, que poderiam ser substituídos com sucesso pela cobrança unicamente por meio de bilhetagem eletrônica. Para não pensarem que eu sou um job killer, imagino que todos estes profissionais dispensados destas atividades poderiam ser muito melhor empregados em outras atividades.
Os “lixeiros” poderiam ser requalificados como motoristas e técnicos responsáveis pela fabricação e manutenção dos recipientes de lixo. Os catadores de papel poderiam atuar nos centros de reciclagem, realizando a separação e comercialização do lixo recolhido. Cobradores de ônibus poderiam atuar como motoristas de ônibus, fiscais e reparadores das máquinas que substituíram sua perigosa e degradante função.
Todos os empregos alternativos a estes são
empregos que requerem uma mão-de-obra melhor treinada e ao mesmo tempo pagam
melhores salários. Estes melhores salários são possíveis porque a produtividade
geral da economia cresce, uma vez que pode-se fazer mais utilizando-se menos
recursos (sobretudo tempo e energia). Este tipo de ação depende primordialmente
do poder público e poderia ser empreendida pela
articulação de governos federais, estaduais e municipais com efeitos reais
sobre a produtividade da economia e, principalmente, na melhoria da qualidade
de vida da população.
Comentários